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GLP-1 pode causar deficiência de vitaminas e minerais? O que já sabemos

6 de set.
3 min de leitura

Os medicamentos da classe dos agonistas do GLP-1, como semaglutida e tirzepatida, transformaram o tratamento da obesidade e de outras condições metabólicas. Ao reduzir o apetite e aumentar a saciedade, eles podem facilitar uma redução significativa da ingestão alimentar e, consequentemente, do peso corporal.

Mas existe uma pergunta importante que muitas pessoas ainda não fazem: se estou comendo muito menos, estou conseguindo consumir todos os nutrientes de que meu organismo precisa?

A resposta exige cuidado. O GLP-1 não “rouba” vitaminas e minerais do organismo. O possível risco nutricional está principalmente relacionado ao contexto alimentar durante o tratamento.

Por que o GLP-1 pode aumentar a atenção aos nutrientes?

Os agonistas do GLP-1 podem reduzir significativamente a fome e aumentar a sensação de saciedade. Para quem precisava controlar uma ingestão alimentar excessiva, esse efeito pode ser extremamente útil.

Por outro lado, algumas pessoas passam a comer tão pouco que têm dificuldade para atingir suas necessidades nutricionais.

Imagine uma pessoa que antes fazia três refeições completas e dois lanches e, depois de iniciar o medicamento, passa a comer pequenas quantidades apenas uma ou duas vezes ao dia.

Ela pode estar consumindo menos calorias — e emagrecendo —, mas também pode estar consumindo menos proteína, ferro, vitamina B12, folato, vitamina D, cálcio, magnésio, zinco e outros nutrientes.

Isso não significa que toda pessoa que utiliza GLP-1 desenvolverá uma deficiência. O risco depende da alimentação, do estado nutricional prévio, da velocidade e magnitude da perda de peso, dos sintomas gastrointestinais, das condições de saúde e de diversos outros fatores individuais.

O problema pode estar na qualidade e na quantidade da alimentação

Um dos maiores erros durante o tratamento é pensar que, quanto menos a pessoa comer, melhor será o resultado.

Emagrecer não significa simplesmente reduzir calorias.

É necessário preservar a qualidade da alimentação mesmo quando o apetite diminui.

Uma pessoa pode consumir poucas calorias e, ainda assim, priorizar alimentos nutricionalmente densos. Outra pode consumir poucas calorias principalmente à base de alimentos ultraprocessados ou de refeições muito pequenas e pouco variadas.

Esses dois cenários são completamente diferentes do ponto de vista nutricional.

Por isso, durante o tratamento, a pergunta não deveria ser apenas:

“Quanto peso eu perdi?”

Também precisamos perguntar:

“O que estou perdendo junto com esse peso?”

Náuseas e vômitos também merecem atenção

Os efeitos gastrointestinais são comuns com medicamentos dessa classe. Náuseas, vômitos, diarreia, constipação e sensação de estômago cheio podem dificultar ainda mais a alimentação.

Quando a pessoa apresenta náuseas persistentes ou episódios frequentes de vômitos, pode passar vários dias consumindo quantidades muito pequenas de alimentos e líquidos.

Em situações mais graves, isso pode contribuir para desidratação e inadequação nutricional.

Um ponto particularmente importante é a vitamina B1, ou tiamina. Deficiência grave de tiamina pode provocar complicações neurológicas importantes, especialmente em contextos de ingestão alimentar muito baixa e vômitos prolongados.

Por isso, sintomas gastrointestinais intensos não devem ser encarados como uma prova de que o medicamento “está funcionando”.

Quais nutrientes merecem atenção?

Não existe uma lista universal de exames ou suplementos que toda pessoa usando GLP-1 precise fazer.

Entretanto, dependendo do contexto clínico e alimentar, alguns nutrientes podem merecer atenção especial, incluindo:

  • Ferro e ferritina

  • Vitamina B12

  • Vitamina B1 (tiamina)

  • Folato (vitamina B9)

  • Vitamina D

  • Cálcio

  • Magnésio

  • Zinco

  • Proteína e ingestão energética total

A necessidade de investigação laboratorial deve ser individualizada. Um exame alterado também precisa ser interpretado dentro do contexto clínico, e suplementação não deve ser feita indiscriminadamente.

Como reduzir o risco?

A estratégia mais importante não é tomar uma grande quantidade de suplementos.

É construir uma alimentação que continue sendo nutricionalmente adequada mesmo com o apetite reduzido.

Na prática, isso pode envolver priorizar fontes de proteína, vegetais, frutas, leguminosas, alimentos ricos em micronutrientes e fontes adequadas de gorduras e carboidratos, respeitando a tolerância gastrointestinal e as necessidades individuais.

Também é importante acompanhar a evolução da composição corporal e não apenas o peso na balança.

Em algumas pessoas, a redução do apetite é tão intensa que uma estratégia alimentar estruturada se torna ainda mais importante.

Afinal, GLP-1 causa deficiência de vitaminas?

Não podemos afirmar que o medicamento, por si só, cause diretamente deficiência de vitaminas e minerais.

O que merece atenção é que a redução importante da ingestão alimentar, a baixa variedade da dieta, sintomas gastrointestinais e perdas de peso significativas podem criar um cenário de maior vulnerabilidade nutricional em algumas pessoas.

Por isso, o tratamento da obesidade não termina na aplicação da medicação.

O objetivo não é apenas perder peso. É perder peso preservando saúde, massa muscular, funcionalidade e estado nutricional.

E essa é uma das razões pelas quais o acompanhamento nutricional pode ser tão importante durante o uso de GLP-1.

Emagrecer é importante. Estar bem nutrido também.

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